Autumn x An Eventful Autumn - Reunião de domingo (05/05) - Parte I
Relatos de uma tarde de domingo
No dia 05/05, em uma conferência no aplicativo Here, meu amigo e eu nos reunimos para discutir nossos resultados das músicas, e como iríamos planejar o conto literário. Neste post, serão comentados apenas os resultados das músicas, e posteriormente, em outro post, serão relatados os novos planejamentos do conto.
Dando início à reunião, para a surpresa de ninguém, passamos um longo tempo conversando sobre assuntos paralelos ao objetivo da reunião, assim como também combinamos de assistir um filme após o mesmo. Quando passamos a dar a devida atenção as músicas, organizamos um acirrado, porém muito bem competido, jogo de pedra, papel, tesoura. Devido às minhas habilidades fenomenais nesta atividade, que requer um uso intelectual desmedido, venci a competição e a minha música foi escutada primeiro.
Em uma reunião anterior, havíamos decidido que, uma vez que as músicas devem ser escutadas com fone de ouvidos para melhor percepção dos detalhes sonoros, nós gostaríamos de estar à par das reações para cada devido momento da música, e que, portanto, iríamos escutar a música juntos, ao mesmo instante do outro, para que nossas reações possam fazer sentido. Sendo assim, enviei a minha música em mp3 via WhatsApp, e passamos a escutar.
P.S: Quanto à minha reação ao meu amigo escutar a música primeiro, eu estive demasiadamente nervosa.
Reações de meu amigo
Essa música se chama "An Eventful Autumn". À princípio, sua expressão parecia como a de alguém que está perdido em uma floresta, tentando se localizar a partir de visualidades e sons, assim como ele me confirmou em algum momento da reunião, que ao escutar a música ele enxergava o cenário. Como previsto, ele se encontrou a céu aberto em uma floresta um tanto convidativa.
À entrada da batida, de um trecho da música "The Willow Maid", sua reação passou de surpresa para animação, e observando cada detalhe que ele pudesse capturar de minha pequena caça-ao-tesouro musical, ele passou a dançar com muito entusiasmo a mudança de clima, em que antes se encontrando em uma floresta calma e tranquila, ele passara pelo córrego e se encontrou em um evento abundante de sonoridades, com uma fogueira no meio. Eu não poderia caber aqui a alegria que senti ao observar seu olhar curioso, que buscava compreender seus entornos, e ao mesmo tempo entretido com a animação da música, expressando isso através de movimentos corporais fluidos e desgarrados de qualquer temor sobre as sensações alheias daqueles que o observavam (eu, seus pais, e Urso, seu cachorro).
Em alguns momentos, ele olhava em volta buscando aquilo que a música lhe ofertava, como se realmente pudesse ver o mundo que eu tratei de construir para ele. Ele conversava com quem quer que estivesse ali, comentava sobre a decoração, buscava encontrar as vozes de fundo, entre outras reações curiosíssimas, e logo após voltava a dançar.
Ao final da música, com a súbita mudança de um evento acalorado para a calma de alguém que retorna para casa, ele esboçou surpresa tanto pela alteração de tom, quanto pelo logo fim da mesma. Sua reação em relação à música completa foi positiva. Em um de seus comentários, estava em o quanto lhe agrada canções cheias, que não encontram em si um segundo de silêncio, e como isso era de meu conhecimento eu busquei demonstrar isso mesmo. Infelizmente, o efeito 5D não funcionou em seu fone de ouvidos. Um dos elementos particulares que mais lhe aprazeu foi a voz da Jade, do filme "Rio", no meio da música, e as vozes de "Forest Dance".
Eu passei a explanar a intenção por trás de cada detalhe. Comecei clamando sobre como o rascunho da música não era de ser cheia, à princípio, pois eu buscava entregar a frieza do outono e passar para a sensação de quem sai do frio e entra em casa para o calor, contudo, essa informação não combinava com as características deste meu amigo, e, portanto, foi necessário torná-la cheia, de vida, de elementos, de efeitos sonoros, de instrumentos, etc.
Também comentei sobre a facilidade que seria, se fadas existissem, dele ser sequestrado por algum ser místico e se habituar a nova vida. Também lhe informei sobre o final da música ser ao som de "Autumn", de "Bambi", não porque havia sido um pedido dele, mas pela demanda de descanso após um longo dia de entusiasmo.
Para a minha infelicidade, eu que havia colocado muitas expectativas quanto à flauta de Heaven Official's Blessing, devido ao fato de que haviam muitos elementos para que ele tentasse decifrar e prestar atenção, ele não conseguiu identificar de onde era a melodia, apesar de lhe ter sido extremamente familiar. Quando eu lhe explanei essa informação, ele imediatamente se emocionou e logo respondeu "se algum dia eu entrar no mato e me perder para as fadas, você nunca mais vai ouvir de mim! Não espere nada de mim!"
Mencionando novamente a voz de Jade, eu também lhe expliquei que o motivo pelo qual era de minha vontade inseri-la na música, se devia ao fato de que a sua personalidade me recorda do temperamento rebelde e ousado da personagem, contudo, sem a timidez de meu amigo. Sua resposta foi que eu o percebia como muito mais audaz do que ele realmente era, a qual eu lhe retruquei:
"I see you for the badass that you don't let other people see!"
Ficamos por ali neste assunto. Comentei sobre a sequência da melodia que seguia para a música "Kingdom Dance", de "Enrolados", e expus meu temor de que essa canção lembrasse o meu amigo de uma guria por demasiado inconveniente e lerda, que ele anteriormente havia demonstrado interesse romântico por ela, e, por acaso, seu filme favorito era Enrolados. Contudo, apesar dela, meu amigo ainda gosta desse filme, e além da melodia ser perfeitamente medieval, a paleta de cores roxo e amarelo é a mesma paleta de meu amigo, quando ele se sente em sua fluidez mais feminino, e, para tanto, seria um desperdício deixar de me aproveitar. Felizmente, ele se sentiu confortável com essa escolha, e esboçou sua vontade de costurar e fazer o cosplay de Flynn Rider.
Ao final das considerações, este meu querido amigo comentou que nós acabamos trocando os estilos musicais, visto que, quando realizamos as músicas-testes, a minha música teve canto, voz, e letra original, enquanto que a dele fora puramente instrumental. Desta vez, a música dele tinha canto, voz e letra original, e a minha ficou apenas no instrumental.
Essa música foi aprovada.
Reações minhas
A música do meu amigo se chama "Autumn", ele me enviou o link no app BandLab para escutar. Quando eu escutei a sua voz, eu não a reconheci e perguntei "quem está falando?", mas antes que minhas dúvidas pudessem ser sanadas a melodia mudou da calmaria de "Autumn", de "Bambi", para algo muito familiar, mas que não pude reconhecer, muito mais animada. De repente, fui levada para o momento em que nos conhecemos, com falas como:
"Oi, meu nome é *******, qual é o seu nome?"
"Oi, Uriel! Tudo bem?"
"Oi, Uri! Como estão indo as aulas?"
"O que que você gosta de fazer?"
"O que você acha da gente ir na Expo Flor?"
"Você sabe cantar?! Canta alguma coisa pra mim!"
"Obrigada por ter vindo, significa muito pra mim."
"Nossa, Uri! Ontem o dia foi tão louco!"
"Viu, você tá bem? Quer conversar?"
Entre muitas outras falas que nada mais nada menos do que me fizeram querer chorar como uma criança. De repente, eu estava sendo levada pela mão para o ano passado, onde nos víamos todos os dias e haveria sempre um "até amanhã", dias que já não existem mais. De repente, eu estava na Universidade Estadual de Ponta Grossa, minha querida UEPG, andando pelos corredores da Central de Salas e me sentando no chão gelado do corredor, sabendo que a qualquer momento ele iria entrar pela porta e se sentar ao meu lado, ou, iria me convidar para irmos lá fora, no Sol, debaixo da árvore, para conversarmos sobre tudo que tivéssemos vontade. Esses dias ainda me acompanham, junto com a saudade de tempos mais simples.
As falas terminam com a maior facada, como dizem, "a pior traição sempre vem daqueles em quem mais confiamos", exceto que nesse caso a dor foi maior justamente por não ser uma traição, mas um abraço.
"Tchau, Uri! Até semana que vem!"
Esse foi o fim da música, para qual só posso dizer: doeu.
E mesmo assim, enquanto eu escutava, eu só conseguia sorrir e dar risada, pelas boas lembranças que meu amigo me trouxe à tona.
A partir de minhas considerações emocionais, meu amigo passou a explicar o seu processo criativo. Ele falou sobre como queria colocar os elementos do vento, a passagem do verão, pois em sua concepção: "Você é um acontecimento!". Portanto, ele buscou a mudança de estações, como ele entendia que o frio sempre foi algo mais difícil de lidar para mim, e é um período de mudanças muito cheio, como gritos de confusão e agonia. (Além disso, ele lembrou que nos conhecemos no Natal de 2022, e quando eu lhe contei que eu recebi um certificado pelos trabalhos feitos na época, sua reação de puro ódio foi hilariante. E para o Professor Mota, ele deixou um pedido especial: um certificado por esse trabalho, encarecidamente.)
No início da música, ele explica que o som dos saltos andando era para representar o meu caminhar pela UEPG, visto que o som ecoava pelos corredores quando eu estudava lá. Eu nunca teria adivinhado que aquele andar era o meu, e fui alegremente surpreendida pela revelação.
Ele também esboçou a vontade de ter preenchido mais a canção, e de colocar letra, de falar algo. Como fora no outono em que demos início à nossa amizade, seu pensamento foi de colocar falas do nosso dia a dia na época, contudo, visto que nossas conversas se passavam pessoalmente, na UEPG, não haviam registros desse tipo, para tanto sua solução foi gravar as nossas falas desde que começamos a nos tornar amigos -- em especial, o seu convite para irmos na Expo Flor --, até as do cotidiano.
O medo do fim do verão e a chegada do outono foi outro de seus pontos, a qual ele integrou em parte do poema. Todavia, eu não havia concebido a ideia de que havia um poema inteiro dentro da música. E essa fora a sua intenção, de que passasse quase que despercebido, com o som do vento, e que à princípio seriam falas de filmes que nós conhecemos junto, porém, ele achou melhor ele mesmo escrever e recitar o poema. Ele pensou sobre as questões que eu lhe havia comentado, sobre o clima ser extremamente mutável em um único dia, a saudade de casa, a passagem do outono desse ano e do ano passado. Para tanto, ele falou sobre chimarrão, pinhão! Era de sua intenção que o poema fosse súbito, que apenas o inconsciente captasse, com a sensação das folhas levando.
É fato que eu não senti o medo que ele tentou passar, mas sim a ansiedade, confusão, e de repente eu estava no calor.
"De repente, o outono não tá mais frio, de repente eu não estou mais indo para o inverno. Ou, eu estou indo, mas tem alguém comigo, então tá tudo bem. Tá tudo bem, porque ******* tá ali, então vamos e seja o que deus quiser."
Com este comentário meu, dessa vez foi o meu amigo que quis chorar.
Também comentamos como o "até semana que vem" não existe mais, e que a única forma de mantermos contato constante foi justamente esse projeto atual a qual eu estou escrevendo sobre, pois, do contrário, não haveriam motivos para nos reunirmos com frequência. Sendo assim, a descrição para essa música foi:
"Eu senti que eu estava na UEPG, num dia normal, e Talula (nosso amigo em comum) estava andando de bicicleta, e eu estava voltando para casa a pé, indo pegar o HU, e nós dois estávamos caminhando até aquele ponto de ônibus lá trás. Era um dia normal na UEPG."
Para qual ele respondeu:
"Foda, né?"
O resto da reunião foram detalhes sobre a composição da música de inverno, e o planejamento da introdução e 1º capítulo do conto literário.
Considerações finais
Para finalizar, eu realizei algumas perguntas sobre como o meu amigo se sentiu em seu processo de composição, e em seguida, ele as fez para mim.
Para tanto, ele explicou que se sentiu um tanto perdido, de primeira, pois ele não estava acostumado com o meu estilo -- que ele denominou "Estilo Bambi - Disney" --, misturado com a música medieval. Portanto, foi algo experimental, e ele se sentiu como um cientista. Houve o medo de não dar certo, dele não chegar aonde queria e não conseguir me afetar conforme era sua intenção.
Ele demorou dois dias para compor toda a música. A versão final e a inicial não ficaram iguais, pois como ele disse, ele conseguiu colocar muito mais coisas na versão final, contudo, comparado com o que ele pensou, ficou mais simples e mais direto, o que na sua concepção foi uma coisa boa. Ele gostou do resultado, e que ficou mais eficiente.
Quanto ao o quê ele imaginou que seria a minha reação, ele contou que não achou que eu fosse dar risada, que em parte eu me sentiria mais saudosa, ansiosa, e que eu iria chorar. Ao que eu lhe expliquei que eu segurei o choro. Sendo assim, a minha reação foi mais ou menos como ele esperava que fosse.
Em relação a meu turno de responder as mesmas questões que eu o fiz, eu também demorei dois dias para criar a música. A reação dele foi esperada, era de meu desejo afetá-lo de maneira que ele começasse a dançar, porém ele começou antes do esperado, e eu imaginei que ele iria perceber o solo de flauta e se emocionar por isso, evento que não ocorreu. Eu também não esperava que a voz da Jade fosse impactar ele tanto, e que ao final ele iria se acalmar tal qual alguém deixando uma festa.
O mais importante, foi que eu pintei uma imagem dentro da música, deste meu amigo dançando no meio de uma floresta por entre folhas de bordo amareladas pelo outono, com roupas de inverno e o vento levando essas folhas em volta dele, a qual eu creio que ele afirmou que sim, que criou uma imagem similar de si, ao escutar a música.
Para mim, no início, fazer a música foi desafiador, pelo motivo de que eu não sabia como usar o Audacity, e eu tinha uma versão da música a qual eu não conseguia chegar, visto que eu comecei a me empolgar com o processo, que tornou a música cada vez mais cheia. A intenção mesmo era criar um caça-ao-tesouro para ele, um bando de referências dele para que ele fosse buscar. Dessa forma, nessa empolgação, eu não pude perceber o tempo passando, uma vez que eu estava me divertindo muito, foi algo novo, diferente, difícil, e ao mesmo tempo divertido. Ao final, acredito que ela ficou melhor do que o esboço original.
Com isso, encerra-se aqui as considerações da parte I da reunião de domingo.
Cordialmente, Uriel
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